Carreira e Maternidade - É possível conciliar? - Ana Paula Dias
Ana Paula Dias - Psicóloga | Butantã - São Paulo - SP
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Carreira e Maternidade – É possível conciliar?

Carreira e Maternidade – É possível conciliar?

A maternidade é um momento de grande mudança na vida de uma mulher. Ela nos coloca em contato com diversas questões de nossa história e embora seja muito romantizada em nossa sociedade, é também um momento que traz muitos lutos.

Costumo dizer que a maternidade é um momento de renascimento, pois com ela, muitos aspectos de nossa vida anterior são deixados para trás e precisamos começar a assimilar o novo,  afinal de contas, o nascimento de um filho traz com ele uma série de mudanças em nossas vidas, desde as mais simples até as  mais complexos. Creio que as mais significativas ocorrem principalmente no que diz respeito ao tempo disponível e nas escolhas que fazemos: 

  • Tempo: ele deixa de ser totalmente nosso e precisamos conciliar nossas necessidades, de sono inclusive, com as necessidades de um novo ser que é totalmente dependente de nós.
  • Priorização de escolhas: Nossas escolhas passam a ser permeadas pelas necessidades de nossos filhos, não podemos mais escolher apenas por nós e baseados apenas em nossos desejos, precisamos incluir as necessidades e desejos desse novo serzinho que passa a fazer parte de nossas vidas.

Às vezes nem percebemos que tomamos decisões inconscientes, como é o caso de decidir tomar um banho em um determinado horário, por exemplo, e isso se estende até as decisões mais profundas, que é o caso sobre como lidamos com nossa vida profissional dali em diante.

Para quem nunca parou para pensar a respeito do assunto ou não vivenciou essa situação, talvez nunca tenha se dado conta de quão complexa é a decisão.  Porém essa é uma grande dor para milhares de mulheres que após se tornarem mães, se deparam com muitas barreiras: sejam aquelas impostas pela sociedade e pelo próprio mercado de trabalho, e que muitas vezes não vê com bons olhos as mulheres com filhos (por mais absurdo que isso seja),  como aquelas barreira internas, impostas por nós mesmas, como é o caso da  famosa culpa:

  • Culpa por desejar retomarmos nossa própria vida;
  • Culpa por ficarmos longe do filho por algumas horas;
  • Culpa por não acompanharmos todos os passos do desenvolvimento da criança; 
  • E por aí vai…

E além da questão da “culpa”, das opiniões alheias, da falta de preparo da gestão das empresas para um bom acolhimento e processo de transição, ainda há muitas questões que permeiam esse dilema:

  • Nosso desejo de mãe de ter mais tempo para acompanhar o crescimento dos filhos x Carga horária intensa de trabalho;
  • Falta de vagas em creches públicas;
  • Creches particulares com custo muito alto, inacessível para grande parte da população;
  • Falta de uma rede de apoio (familiares e amigos) que possam auxiliar essa mulher no cuidado com os filhos em momentos específicos.

A lista não para de crescer. E é por isso que venho dar um foco especial nesse ponto.  Precisamos de um cuidado especial nesse momento que iniciamos como mães. Esse cuidado pode ser o acolhimento do nosso parceiro, familiares e amigos… Mas muitas vezes precisamos também de ajuda profissional para compreender todas as mudanças ocorridas com a chegada do nosso bebê e assim assimilar os novos papéis que chegam junto com a maternidade, de forma que possamos no reencontrar nessa nova fase da vida. 

Autoestima, Carreira e Maternidade.

Com tantas mudanças atreladas a maternidade, e com tantas cobranças que chegam junto com esse novo papel, é natural que se não estivermos emocionalmente saudáveis e certas do nosso valor, corremos um sério risco de nos perdermos nesses novos papéis, e consequentemente perdemos nossa autoestima.

Sentimos o peso de muitas as cobranças, tanto as feitas por nós mesmas como pelos outros, e é difícil lidar com sentimentos, julgamentos e comparações que muitas vezes são super contrastantes:  

  • A mulher que trabalha fora é cobrada para estar mais próxima dos filhos e julgada de diversas formas, pois está longe, “só pensa em si”, é egoísta…. 
  • A mulher que não trabalha fora e que se dedica integralmente aos cuidados com os filhos, comumente ouvem que estão perdendo tempo, não retomaram carreiras, são “menos valorizadas” , uma vez que toda a sua dedicação aos cuidados com os filhos e com a casa, não tem destaque… 

Já ouvi os mais absurdos comentários a respeito do “certoXerrado” como relato das mães pelas pessoas que a cercam, e que tem grande peso na nossa saúde mental.  

Dentro desse contexto, o autoconhecimento é essencial para superar essa fase e não nos deixar abalar pelos julgamentos alheios e os da nossa consciência. Ele nos ajuda a compreender que continuamos existindo e isso significa que por mais importante que o filho seja em nossa vida, e por mais especial que seja o lugar ocupado por ele em nosso psiquismo, continuamos sendo indivíduos, e temos nossas próprias necessidades. E que bom que seja assim!

Para algumas mulheres, o maior desejo é o de poder assumir integralmente o papel de mãe e dedicar-se por um tempo maior ao cuidado com os filhos. Já para outras, o trabalho ocupa um lugar de grande importância, o que não diminui o lugar de importância do filho em sua vida. E tudo bem! Está tudo certo! Não há regras para ser uma mãe melhor.

Claro que no início da vida do bebê, é super normal e importante que estejamos muito presentes e envolvidas com os seus cuidados pois eles dependem de nós para absolutamente tudo. Porém, com o passar do tempo, é muito importante que comecemos a retomar aqueles papéis que ficaram adormecidos com a maternidade: O papel de mulher, de profissional, estudante, ou qualquer outro que seja importante para nós e que vá além do papel de mãe.

Para isso, é fundamental que tenhamos clareza dos nossos desejos, para que possamos assumir nossas escolhas com segurança. É preciso compreender que além de mãe, somos mulheres e que podemos ser ótimas mães sem precisar abdicar de nossa individualidade.

O fato de voltarmos a dividir atenção e interesse com outras atividades que amamos, que nos representam, que sentimos prazer em fazer e que nos engrandecem como seres humanos não diminuirá o valor que a maternidade e o nosso filho ocupam em nossa vida. Apenas nos ajudarão a recuperar quem sempre fomos,  e pode acreditar: isso é extremamente saudável para nós e para nossos filhos. 

Mas, é possível conciliar trabalho e Maternidade?

Não apenas é possível como se isso é o que você quer, você deve! Não podemos dizer que tudo serão flores, pois como falamos no início do artigo, as barreiras enfrentadas sim, são muitas.  A notícia boa é que cada vez mais as empresas, a legislação e nós mesmas estamos reivindicando nossos direitos para mais equidade, debatendo o tema e transformando os ambientes organizacionais em lugares psicologicamente saudáveis para o acolhimento de mulheres e mães. 

A maternidade traz com ela todas essas mudanças, mas traz também a força necessária para que a gente se reinvente. Seja no mercado de trabalho formal ou empreendendo. Inclusive, uma das alternativas que tem movimentado o mercado é o empreendedorismo materno. Você já ouviu falar sobre isso?

Basicamente, o empreendedorismo materno é toda atividade empreendedora gerada por conta da maternidade. Muitas mulheres, retornam aos seus antigos trabalhos após a licença maternidade, porém, todas as questões levantadas acima, tem levado muitas delas a pensarem em seu próprio negócio. É um assunto muito interessante, mas é tema para um próximo texto.

Para finalizar, o recado que quero deixar aqui, é que Independente da escolha que você faça, seja ela de se dedicar integralmente aos cuidados com seus filhos, ou de conciliar a maternidade com a sua vida profissional, o mais importante é que você se apodere de sua escolha, e se livre da culpa. Ser uma boa mãe, requer inclusive que você não abandone os seus desejos e sonhos. Seja Feliz, seja Você, não se anule! Uma mãe feliz e realizada, terá condições de exercer a maternidade com mais prazer e consequentemente vai contribuir para gerar um ambiente saudável para o desenvolvimento de uma criança.

Se estiver muito difícil tomar algumas decisões sozinha, não hesite em procurar ajuda! Você não está sozinha!

Um beijo Carinhoso dessa Psicóloga, que também é mãe e já enfrentou todas essas transformações oriundas da maternidade!!!

Ana Paula Dias da Silva

CRP 06/79873