Autocobrança. Por que me cobro tanto? - Ana Paula Dias
Ana Paula Dias - Psicóloga | Butantã - São Paulo - SP
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Autocobrança. Por que me cobro tanto?

Autocobrança. Por que me cobro tanto?

Por Ana Paula Dias da Silva – CRP 06/79873

 

Este é um tema que considero muito especial, pois na minha experiência clínica, vejo o quanto algumas pessoas sofrem por não conseguirem lidar com suas falhas. Existe uma cobrança pela perfeição que muitas vezes chega a ser cruel.

Essa cobrança pela perfeição, assim como a culpa pela falha, muitas vezes vem da própria história de vida do indivíduo.

Aceitar que podemos falhar, que podemos não ser perfeitos, e que mesmo assim podemos ser amados, depende da nossa história de vida e da relação que estabelecemos com aqueles que foram responsáveis por cuidar de nós enquanto crianças, pois é geralmente nessa fase, onde somos totalmente dependentes de nossos pais ou daqueles que exercem esse papel em nossas vidas, que vivemos a experiência do amor incondicional, aquele em que somos amados simplesmente por sermos quem somos.

Experimentar esse amor é fundamental para o desenvolvimento emocional do indivíduo, e até mesmo para o desenvolvimento da sua autoestima. Mas, é claro que nem sempre é assim que ocorre, e são muitas as variáveis possíveis aqui. Quando não experimentamos esse lugar de importância na vida de nossos cuidadores, são muitas as saídas possíveis, são muitos os sintomas que podem emergir daí, como por exemplo problemas com autoestima, escolhas equivocadas de parceiros amorosos, depressão, transtornos alimentares, entre outros.

Porém, esses são temas que ficarão para as próximas postagens. Nesse texto, vamos falar sobre a experiência do amor incondicional vivido de forma muito intensa.

Quando tudo ocorre bem, e vivenciamos este amor, passamos por uma experiência muito forte: a de ter sido, um dia, aquilo que faltava na vida de alguém; no caso, de nossa mãe ou daquele que represente a figura materna. Porém, conforme vamos crescendo, começamos a perceber que não é bem assim. Há outras coisas que disputam conosco esse lugar de  importância: o trabalho, os amigos, os irmãos, os parceiros amorosos, entre outros. E tudo bem, é importante que seja assim, pois é nesse momento que nos damos conta de que não somos únicos, não bastamos ao outro, porém, apesar disso, temos um lugar de  grande importância na vida desse outro e aqui começamos a entender que não precisamos ser perfeitos.

Porém, nem sempre esse é um processo simples. Sentir-se amado e idealizado, sentir que é o objeto que completa o outro, é algo muito prazeroso e difícil de abrir mão. Difícil, porém necessário para nosso desenvolvimento emocional. E, a depender de como essas questões foram tratadas em nossas vidas, tendemos, de forma inconsciente, a continuar buscando essa sensação em todos os nossos relacionamentos futuros.

Muitas pessoas passam a vida se cobrando para acertar o tempo todo, não admitem falhas, e precisam ter o controle de tudo, para que possam se sentir seguros, sempre buscando a certeza de que serão sempre dignos de amor, e de que o seu lugar na vida do outro está resguardado. E isso é de um sofrimento imenso, pois é impossível termos  o controle de tudo. Os controles, assim como nós, são imperfeitos. Portanto, nunca conseguiremos corresponder a todas as expectativas externas.

Quando me refiro as expectativas externas, me refiro as expectativas de nosso parceiro(a) amoroso(a), de nosso chefe no trabalho, de nossos amigos e de todas as outras pessoas com as quais nos relacionamos. Enfim, essa busca pela perfeição pode permear toda a vida do indivíduo e trazer um sofrimento muito grande, pois não temos o controle do desejo do outro.

Buscar o autoconhecimento é um processo muito importante, pois é através dele que conseguimos entender a nossa história e dar novos significados a ela. É através dessa busca que podemos compreender que sim, podemos dar o nosso melhor, e mesmo assim não atingir a expectativa do outro, pois não temos o controle sobre o desejo da outra pessoa. O que o outro sente diz respeito a história dele, e não me desqualifica. 

Separar o que é meu do que é do outro é o primeiro passo para que possamos ser menos cruéis conosco e assim vivermos uma vida com mais harmonia. 

Não preciso caber no desejo do outro para ser feliz!

E você, como anda a sua autocobrança?