Afinal, o que é o Amor? - Ana Paula Dias
Ana Paula Dias - Psicóloga | Butantã - São Paulo - SP
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Afinal, o que é o Amor?

Afinal, o que é o Amor?

Por Ana Paula Dias da Silva (CRP 06/79873)

Na última semana, estive como palestrante em uma Universidade para falar a respeito de Violência Doméstica contra a Mulher e Feminicidio. O evento foi maravilhoso, fiquei muito feliz por ver pessoas interessadas em pensar esse tema, inclusive fiquei muito feliz ao perceber a presença de alguns homens na plateia, igualmente preocupados em repensar o lugar da mulher em nossa sociedade.

Porém, em determinado momento do evento, uma das estudantes fez o seguinte questionamento:

– Ana, é normal a mulher denunciar o parceiro que agride, e mesmo após as agressões e a denúncia, continuar amando aquela pessoa?

Imediatamente me veio um outro questionamento em mente:

– O que será que ela está chamando de amor?

Em minha experiência clínica, me deparo o tempo todo com mulheres que aprenderam o significado de amor de uma forma bastante destorcida.

Algumas dessas pessoas, trazem em seu íntimo um vazio muito grande, um vazio que representa a ausência de investimento afetivo, aquele investimento que quando recebemos na infância, nos torna fortes, que faz com que a gente sinta que tem valor. Quando não experimentamos esse sentimento, nossa autoestima tende a sofrer muito e passamos a carregar um vazio que buscamos preencher em outras relações.

E aí mora um grande perigo. Sabe por quê?

Como na maioria das vezes as pessoas desconhecem o real significado desse vazio existencial, elas tentarão tapá-lo de qualquer forma e isso muitas vezes é a porta de entrada para os sedutores de plantão.

Sim, pois os agressores costumam ser muito sedutores inicialmente.

Ele vai lhe dizer coisas lindas, se mostrar apaixonado, fazer você acreditar que é uma pessoa muito especial para ele, enfim, vai transbordar afeto, aquele afeto que você tanto procura. Porém, com o tempo, você começará a se dar conta de que ele começou a controlar demais as suas ações:

– Não coloque batom vermelho, isso não é para você, é muito vulgar.

– Ah, essa roupa está muito curta, você não pode sair assim.

– Mas, vai sair novamente com seus amigos? Você só dá atenção para eles.

– Vai ligar novamente para seus pais? Para quê?

– Nossa amor, você está trabalhando demais. Por que não diminui o ritmo? Aliás, você poderia parar de trabalhar. Eu posso dar conta de tudo!

No começo, você até pode achar bonitinho, afinal de contas, em sua concepção, ele está fazendo tudo isso por amor. O ciúme? Ah, mais uma demonstração de amor!

Porém, com o decorrer do tempo, isso vai se tornando cada vez mais forte. E agora, ele já não é mais tão doce. Quando você não atende aos seus “pedidos”, ele passa a ficar muito nervoso, grita com você, lhe ofende, depois pede desculpas, mas deixa claro que a culpa da discussão é sua, pois se você não tivesse feito determinada ação, isso não teria ocorrido.

E você?

Sente-se culpada, claro!

Isso começa a ocorrer com mais frequência e agora ele também começa a lhe apontar os seus defeitos:

– Olha para você? Quem iria ficar com você além de mim?

– Sexo? Claro que não te procuro, você está gorda!

– Foi promovida? Com certeza não foi por competência!

E você, que já não acreditava tanto assim em seus méritos, passa a acreditar ainda menos. E lembra do vazio? Então, ele se torna ainda maior.

Mas, esse jogo não acaba assim, afinal, o rapaz é sedutor, lembra?

Sempre que ele perceber que você pode se dar conta de que ele não é tão legal assim, vai tentar virar o jogo. Vai novamente lhe dizer o quanto te admira, que te acha linda, que não vive sem você, aí, novamente seu peito se enche de esperança, e você pensa:

Nossa, ele me ama!

E como você precisa se sentir amada, não é mesmo? Esse sentimento, faz com que por um minuto, a ferida causada por aquele vazio interno, não doa tanto e você se entrega a essa relação novamente.

E assim se fecha o ciclo de uma relação abusiva.

Ele seduz, você se apaixona, ele te controla, te desvaloriza, fere a sua autoestima, te agride, você sofre, sente-se a pior das criaturas, aí ele faz um carinho, diz que te ama e volta para etapa da sedução, e toda a história se repete.

Qual o problema?

A agressão tende a ganhar força!

Cada vez que o ciclo é reiniciado, as agressões vão se tornando mais fortes, inclusive as verbais e psicológicas. Uma hora chega o primeiro tapa, o primeiro empurrão, depois ele se torna ainda mais agressivo e por fim, a última etapa é o feminicidio.

Mas, afinal, o que é amor?

O amor começa na gente mesmo!

Somente com amor próprio conseguimos fazer escolhas saudáveis para nossa vida. Conseguimos colocar limites entre nós e o outro. Somente com ele, conseguimos dizer não para algo que nos faz mal. É o amor próprio que faz com que a gente lide bem com nossos vazios, e que não queiramos preenche-lo a todo custo.

Nem sempre trazemos o amor próprio de casa, as vezes precisamos construí-lo e para isso é preciso colocar o dedo em algumas feridas, para que possamos nos conhecer. Não é um processo sem dor, porém é extremamente libertador!

Respondendo a pergunta daquela estudante, se é possível terminar uma relação permeada por agressão, ainda amando o agressor?

Eu não chamaria esse sentimento de amor, mas sim de dependência. Sim, dependência emocional, dependência afetiva, causadas basicamente pela ausência de amor próprio.

Não é fácil desvincular-se desse sentimento! É preciso um trabalho árduo para reconstruir-se internamente e conseguir enxergar o seu real valor. Mas, é um trabalho possível.

Então, se você está vivendo uma relação como essa, e tem dificuldade em desligar-se do relacionamento, que tal começar cuidando de você e de sua saúde emocional? Vá em busca de autoconhecimento, estou certa que esse processo irá ajuda-la a se reconstruir e a se amar de verdade! O resto é consequência!